Manifesto por uma Nova AMB

Prezado associado,

No estatuto da Associação Médica Brasileira, são marcantes as palavras defender, orientar, propor, contribuir, promover e congregar. Estes são verbos propositivos que orientam os médicos de nosso País, as escolas de Medicina, a produção científica, as políticas de Saúde e a saúde da população.

Para isso existe a AMB. Para se posicionar e agir. Não para ser um órgão burocrático, cartorial e de guarida ao carreirismo; e sim para marcar presença de forma forte, decisiva e respeitada por todos, especialmente em tempos turbulentos. Agora mesmo, período em que muito necessitamos de uma representação vigorosa para abraçar nossa defesa e principais demandas, a AMB esconde-se da luta, opta pela omissão em polêmicas cruciais aos médicos e à Saúde; isso quando não transita nos gabinetes de Brasília atrás de cargos e dos interesses questionáveis de uns poucos.

Estamos vivendo imensas transformações em nosso País e no mundo. Em nenhum outro momento da história houve tantas mudanças acontecendo tão rapidamente. A economia, a política, a tecnologia e as questões sociais têm sido temas de acaloradas discussões na imprensa, na academia, no mundo político e na sociedade civil.

Como agravante, a pandemia da Covid-19, que tomou o mundo desprevenido, colaborou para a criação de um cenário de incerteza e medo. Além das vidas perdidas, o impacto na Economia será de proporções impensadas, e a adaptação dos negócios e das profissões será obrigatória.

A Associação Médica Brasileira está sendo solicitada, pelos médicos que representa, e pela sociedade em que está inserida, a ter uma atitude protagonista, seja no tratamento, na prevenção ou na orientação de condutas que promovam melhor enfrentamento da crise, seja na construção de um novo normal social, econômico e sanitário para todos os brasileiros.

Por isso, propomos o Movimento Nova AMB, em oposição ao atual modelo de gestão que já dura quase uma década, para responder de forma direta e eficiente aos grandes anseios da classe médica e da população de nosso País.

Alguns temas devem fazer parte da pauta permanente de discussões entre os vários protagonistas, liderados pela AMB. Este é seu papel.

Temos que reverter esse quadro imediatamente. Queremos e vamos construir uma Nova AMB. Juntos, podemos e seremos protagonistas de fato. Seremos capazes de colocar a classe médica na posição em que merece estar e que a população de nosso País espera.

O que não queremos

A AMB que agora temos não é a Associação Médica Brasileira que queremos, aquela que nasceu em 1951 com a missão e o firme propósito de representar a classe médica, de lutar pela valorização e respeito ao nosso trabalho, pela boa Medicina e por saúde de qualidade aos cidadãos.

A AMB que agora temos – e que não queremos – não veste a camisa dos médicos; não defende a ciência médica e o exercício da profissão: não lidera há anos um só movimento por honorários dignos na rede suplementar e no SUS; não combate a proliferação irresponsável de cursos médicos; não zela pela formação e, ainda hoje, assiste inerte à revalidação automática de diplomas obtidos no exterior.

A AMB que agora temos – e não queremos – não possui posição clara sobre o fenômeno emergente da Telemedicina, e da aplicação da Inteligência Artificial como ferramenta de diagnóstico e de conduta; não pauta os debates e rumos da bioética na utilização de células tronco embrionárias como método terapêutico; e cala-se – humilhantemente – diante das informações e orientações conflitantes com relação à epidemia de Covid-19.

Uma trajetória de conquistas

Com base nesta análise e reflexão, fica evidente que a AMB precisa mudar com urgência. Não é demais reafirmar que aquela entidade combativa e que bem representava os médicos brasileiros transformou-se em uma instituição apática, burocrática e totalmente descompromissada para com os graves problemas que nossos colegas enfrentam no seu cotidiano.

No passado, a AMB estabelecia os parâmetros de remuneração profissional na saúde suplementar, pois era um forte interlocutor da classe médica junto aos planos de saúde. 

Também criou a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), com o objetivo de unificar a nomenclatura dos procedimentos médicos e constituir-se em um parâmetro uniforme para remuneração nas diversas especialidades. 

Na esfera pública, os médicos eram contratados por meio de concursos, com todas as garantias da legislação trabalhista.

A AMB tinha forte influência na definição das políticas de Saúde, sempre defendendo boas condições de trabalho para os médicos e serviços públicos de qualidade para bem atender a população. 

Médicos sofrem com a inércia e a omissão

O resultado disso são médicos mal remunerados e explorados pelos planos de saúde, sem qualquer amparo pela nossa entidade nacional. No setor público, a situação também se deteriorou sem qualquer movimento da AMB em defesa dos médicos.

Não existe mais concurso público. Médicos são contratados sem qualquer garantia trabalhista e exercem sua atividade em serviços com enormes carências.

A AMB precisa urgentemente retomar sua condição de legítima representante nacional da classe médica. Precisa recuperar a harmonia e a unidade entre todas as suas Federadas e Sociedades de Especialidades, juntando forças para recobrar o prestígio da classe médica em nosso País.

Não é mais possível aceitar que a AMB seja um foco de desarmonia e desunião da classe médica. Carecemos de uma entidade forte, reta e totalmente transparente na prestação de contas e de seus atos junto a todos os associados.

Uma nova AMB para recuperar a década perdida

A AMB deve recuperar esta década perdida, desde que trabalhemos juntos e focados somente na defesa dos médicos e da Saúde. A comunidade acadêmica jamais poderia ter sido posta de lado. A AMB precisa construir com a Academia um relacionamento acolhedor, respeitoso e profícuo. Esta é uma política de benefício geral. Os aspectos científicos nunca deveriam ter se afastado da pauta da AMB.  De igual modo, as sociedades de especialidade precisam voltar a ter protagonismo. Sem elas, não existe AMB forte e representativa.

Fortalecer a Diretoria de Defesa Profissional é prioridade para uma AMB que dê voz aos médicos e às suas angústias. Precisamos tratar dos assuntos relativos ao nosso trabalho, como a questão que envolve contratualização com os planos de saúde – que hoje são muito desfavoráveis aos médicos -; e organizar a classe médica para exigir que as contratações junto ao setor público garantam a aplicação da legislação trabalhista. Também é imperiosa a luta incessante pela conquista de um dos maiores objetivos da classe médica, a aprovação da carreira pública federal, ferramenta fundamental para melhorar a saúde pública em todo território nacional.

Enfim…,

Este é o momento de nos perguntarmos qual é a AMB que queremos. Quais as bandeiras que devem ser levantadas. Como deve ser a relação da AMB com suas federadas e com as sociedades de especialidades. Qual o papel que AMB deve se assumir, afinal, perante à classe médica, à sociedade e às autoridades do País.

Com certeza, esse papel não pode ser apático, burocrático e omisso. Tempos difíceis exigem coragem, e é chegado o momento de perguntar se a AMB atual está honrando com a história e a tradição construídas ao longo de 69 anos.

Por isso, nos propusemos a elaborar este manifesto a partir destas perguntas, e conclamamos, através dele, todos os colegas associados a se juntarem a este movimento que deseja uma Nova AMB, motivados pelo desejo das respostas adequadas e de novas ações necessárias e possíveis.

Propomos uma nova Diretoria, que seja mais atuante na produção de uma Medicina mais respeitada e de uma Saúde mais digna. Uma gestão mais ousada, inovadora e transparente. Queremos uma Diretoria que se paute por três princípios essenciais: o protagonismo, a competência e a probidade.

Ninguém irá construir por nós o futuro como queremos e imaginamos. Teremos que fazer com que ele aconteça.

Manifesto em defesa da ética

Caro colega médico,

Vivemos no Brasil e no mundo tempos de ataques virulentos aos valores morais, à dignidade, à honestidade e à ética.

As redes sociais, surgidas sob a égide de aproximar pessoas e povos, de compartilhar avanços e descobertas em prol de dias melhores para a humanidade, foram assaltadas por grupos irresponsáveis e sem escrúpulos.

São uns poucos, mas absolutamente desonestos e barulhentos. Eles usam as redes sociais para espalhar fake news, para minar o direito da discordância e para semear ódio em cidadãos e em classes profissionais. Sempre buscando benefício para si e/ou apadrinhados, não importa o mal que causem a outros. Agem iludindo a boa fé de alguns poucos, descontroem biografias, agindo como verdadeiros trituradores de honras e probidades de seus opositores; não bastasse, por outro lado, a linguagem chula que habitualmente empregam.

Há anos, o movimento médico é envenenado por pessoas dessa estirpe. Nas eleições para nossas entidades, invariavelmente, elas falseiam notícias propagando que seus concorrentes são desse ou daquele partido, que votaram em A ou B, e inventam todo o tipo de mentiras/calúnias até sobre a vida pessoal de quem ousa ter pensamento diverso.

O requinte desse grupo criminoso – sim, fake news e falsidade ideológica são crimes – é tamanho que, inclusive, já mantém uma comunidade no Facebook, manipulando alguns milhares de inocentes e desavisados.

O resultado sabemos bem qual é: esses senhores tomaram a direção de algumas de nossas principais entidades, seja em nível associativo ou conselhal, utilizando-as em causa própria. Nada fazem em sua defesa, em nossa defesa e em defesa da Saúde.

Enquanto isso, nós, os médicos, amargamos perdas salariais, somos submetidos à precarização do trabalho e a condições inadequadas ao exercício da Medicina, entre tantos outros problemas que você conhece.

Em breve, teremos renovação da Diretoria da Associação Médica Brasileira; faço parte do Movimento Nova AMB, de oposição à sua atual direção. As chapas que irão concorrer sequer ainda existem e o processo eleitoral não começou. Porém, bastou uma oposição tomar corpo e expressar o seu descontentamento com a atual gestão para ser covardemente atacada através de mensagens apócrifas, mas que logo serão conhecidas em relação ao(s) seu(s) autor(es).

Por ousar defender que a Associação Médica Brasileira precisa mudar, precisa ter compromisso inarredável com a melhoria de remuneração e da vida dos médicos, esse grupo começou a me atacar gratuitamente com injúrias e falsidades.

Eles não têm propostas de avanços nem trabalham por conquistas para os médicos; daí fugirem do debate. Escondem-se atrás de fake news e maculam a reputação de quem ousa ser probo e clamar por mudanças. Desde já, registro e você pode me cobrar, todos esses senhores, quando descobertos, serão por mim contestados na Justiça, onde sei que serão condenados e punidos com rigor.

Não vou reproduzir os ataques, pois sei que eles esperam por isso. Não começarei a me defender, já que nada tenho a temer e minha história é pautada pela transparência, pela lisura e pelos bons princípios.

Sempre fui íntegro e cidadão respeitoso; exerço meu direito ao voto, mas não o divulgo nem faço campanha a ninguém. Na Ginecologia e Obstetrícia, não faço juízo de valores. Defendo que precisamos escutar o que falam as mulheres, respeitar o seu empoderamento e proteger os seus direitos sexuais e reprodutivos. Não uso de hipocrisias com elas. Não falo por elas. Ouço o que elas falam. As respeito.

Este texto, mais do que um desabafo, é um manifesto à ética na área médica, nas eleições de nossas entidades, na Medicina e na vida.

A ética deve prevalecer em todos os momentos, e com ela a verdade e a honestidade. Não vamos nos intimidar com esses ataques vis e caluniosos. Estamos determinados a lutar na construção de uma NOVA AMB que represente com eficiência e com dignidade todos os médicos do Brasil. Uma AMB que volte ao coração de cada médico e que o faça sentir orgulho de por ela ser representada. Uma AMB que respeite a sua tradição e a ética e competência de seus fundadores.

Empenho a minha palavra de que em momento algum aceitaremos provocações, fake news e baixarias. Nós, médicos, estamos fartos de assistir eleições com chapas desqualificadas e sem propostas. Queremos propostas, compromisso e ação por uma prática médica, uma Medicina e um sistema de saúde valorizados.

César Eduardo Fernandes
Movimento NOVA AMB

Nova AMB. Juntos!


César Eduardo Fernandes

ex-presidente e atual diretor Científico da Febrasgo e professor Titular de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC

Luciana Rodrigues Silva

presidente da SBP, professora Titular de Pediatria da UFBA e membro das Academias Brasileira de Pediatria e de Medicina da Bahia

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